A estilista Flavia Aranha fala de Sustentabilidade em seu retorno no SPFW no Pq. Trianon, na avenida Paulista em São Paulo ; confira
A estilista Flavia Aranha fala de Sustentabilidade em seu retorno no SPFW no Pq. Trianon, na avenida Paulista em São Paulo ; confira
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Categoria: Moda e Beleza

Foto de: Flavia Aranha coleção “Floresta” no São Paulo Fashion Week

Nesta terça-feira (14), o segundo dia do SPFW N60, Flavia Aranha abriu a programação com a coleção “Floresta”, inspirada na Amazônia, mesclando peças poéticas e funcionais com biomateriais como látex amazônico, biotêxteis de algas e corantes naturais. Artistas indígenas e artesãos brasileiros colaboraram com biojoias, marchetaria e pinturas manuais, reforçando que moda e sustentabilidade podem andar juntas.

Data de postagem: 17/10/2025 - 12:12

Postado por: João Pedro

Flavia Aranha volta às passarelas com uma proposta audaciosa: deixar de lado os métodos convencionais de criação e focar na pesquisa de materiais sustentáveis. A designer de moda, que não participa da semana de moda desde 2019, apresenta vestidos, blazers e conjuntos feitos com fibras da Amazônia, tingimentos botânicos e colaborações com projetos de biotecnologia, evidenciando um compromisso com a moda sustentável e a mudança nos processos de produção.

Ao contrário do processo criativo tradicional, que começa com uma inspiração ou narrativa, Flavia Aranha inverte a ordem: ela começa experimentando materiais e tecnologias sustentáveis. O estudo de novas fibras, como a malva amazônica, que é semelhante à juta, é fundamental no processo. Com a descoberta desses materiais, a designer cria modelagens e cortes que interagem com suas características naturais.


Esse método permite que tecidos anteriormente vistos como “exóticos” sejam incorporados em peças do dia a dia, como vestidos tomara-que-caia e calças aladin, mantendo sempre um toque rústico que, apesar de perceptível, não compromete a sofisticação.

“A floresta virou minha casa e também um novo idioma”, afirma Flavia. A partir dessa vivência sensorial, as peças exploram a arquitetura das folhas e a dança cósmica da vida, com roupas funcionais que protegem do frio, vento e chuva, sem perder o caráter poético.

fundamental para a moda do futuro e Flavia Aranha tem esse valor não apenas como uma meta a ser cumprida, mas como parte essencial de sua criação. A ideia de apresentar o desfile no parque Trianon, na avenida Paulista, não foi por acaso. É da mata que ela tira os insumos para fazer uma roupa especial que usa bio-materiais e tingimentos naturais para definir novos códigos estéticos e de produção.

Em uma coleção leve e com movimento de roupas transparentes e esvoaçantes, ela apresenta uma pesquisa têxtil inovadora. Como um material bio-têxtil de algas com fios de algodão em parceria com o designer colombiano David Cabra. Ou um látex natural, em que a marca paraense Da Tribu aplica a seiva da seringueira da Amazônia sobre fios de algodão ou sobre superfície de seda (nas capas de chuva).

Teve ainda o micélio, estrutura vegetativa dos fungos, desenvolvido pela startup Mush e aplicado nas bolsas como substituto do couro. Vale citar também os looks especiais feitos com a fibra amazônica da malva (com aspecto similar ao linho) e as sementes de açaí, paxiubão e tiririca, em um vestido mídi, uma camisetona e nos acabamentos de alças e acessórios.

Para as cores e texturas das peças, ela usa flor de clitória, frutas como urucum e romã; ervas como macela, mate e chá preto; e plantas, como crajiru e índigo. Até cebola roxa e corantes bacterianos servem como alternativas.

Flavia Aranha escreve com poesia os novos capítulos do luxo sustentável dentro do SPFW.


FICHA TÉCNICA
Direção: Paulo Borges e Ed Benini
Make: Ivan Barria
Hair: Cris Dios, Laces Hair
Trilha: Bruno Fabbrini e Edu Ferreira
Vídeo: Protótipo Filme
Fotos: @agfotosite